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Milei acusa legisladores de impor lentidão por interesse em propina e ameaça consulta popular caso Congresso não aprove ‘decretaço’

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Javier Milei
Presidente argentino Javier Milei afirmou nesta terça-feira (26) em entrevista à televisão argentina que alguns membros do Congresso argentino querem propina para aprovar seu "decretaço". — Foto: Reprodução/Redes sociais - Todos os direitos: G1

Presidente pressiona Legislativo argentino em coletiva agressiva, destacando argumentos para aprovar pacote de leis em sessões extraordinárias.

O líder do governo, Milei, acusou nesta terça-feira (26) certos membros do Congresso argentino de estarem pedindo propina para aprovar seu Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), o que estaria atrasando o processo de aprovação. Durante uma entrevista na televisão do país, Milei também ameaçou realizar uma consulta popular caso o Legislativo não aprove seu ‘decretaço’. Ele não forneceu evidências para respaldar suas acusações.

Nas próximas sessões extraordinárias, os legisladores irão debater o DNU de Milei, que altera ou revoga mais de 350 regulamentações no país e busca desregular a economia argentina, assim como um conjunto de leis proposto pelo Executivo.

Declaração de Milei sobre a Corrupção

‘Parte da lentidão dos legisladores se deve ao fato de também buscarem subornos. Alguns, eu digo. Mas o fato de gostarem de discutir, de discutir a vírgula, é porque estão em busca de suborno. Cuidado, porque isso é justamente contra os corruptos. Aqui estão algumas das coisas que procuro que sejam dinâmicas o suficiente para vender seus votos’, afirma Milei.

O governo de Javier Milei pressionou o Congresso nesta terça (26) para tentar aprovar logo o ‘decretaço’, proposto na semana passada. O partido de Milei, o Liberdade Avança, é minoria no Legislativo: tem 39 dos 257 deputados e 7 dos 72 senadores.

‘Os deputados e senadores terão que escolher entre apoiar o que o povo votou, a mudança, esta Argentina que queremos para o povo de bem e sem o peso do Estado, ou continuar a obstruir esta mudança e [impedir o que] a maioria do povo quer’, disse Manuel Adorni, porta-voz do governo, em comunicado divulgado nas redes sociais.

Na última quarta-feira (20), Javier Milei anunciou o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), que viabiliza a desregulação econômica do país. O texto modifica ou revoga mais de 350 normas e, embora já tenha entrado em vigor, ainda pode ser barrado pelo Congresso.

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Medidas Polêmicas Incluídas por Milei

Entre outros pontos, o decreto desregulamenta o serviço de internet via satélite e a medicina privada, flexibiliza o mercado de trabalho e revoga uma série de leis nacionais. As medidas incluem também a conversão de diversas empresas estatais em sociedades anônimas, facilitando o processo de privatização dessas instituições.

Após uma semana com diversos protestos contra as reformas, o presidente convocou o parlamento para sessões extraordinárias entre os dias 26 de dezembro e 31 de janeiro. O Congresso poderá provar ou rejeitar o texto integralmente, sem a possibilidade de debater os detalhes de seu conteúdo.

Na pauta das sessões extraordinárias, Milei incluiu ainda propostas para a restituição de impostos sobre os salários, modificações na lei eleitoral e reformas do Estado.

Ação coletiva à Justiça

No sábado (23), a Justiça federal admitiu uma ação coletiva de organizações civis para declarar o texto inconstitucional.

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As organizações e as centrais sindicais convocaram uma manifestação na próxima quarta-feira (27) diante dos tribunais. O intuito é entregar à Justiça o pedido de contestação do decreto, e uma ação para suspender todos os seus efeitos.

O Ministério Público Federal terá que responder às contestações em um processo que pode chegar até a Suprema Corte da Argentina.

Crise Econômica na Argentina

A Argentina vive uma das piores crises econômicas de sua história recente, com 40% da população vivendo na pobreza e a inflação ultrapassando os 140% anuais. Javier Milei tem dito que o corte dos gastos públicos será equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Fonte: G1 – Mundo

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