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Os impactos do aumento do nível do mar nos custos de moradia: por que alugar vai ficar mais caro?

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O aumento dos aluguéis fez Renita Holmes mudar de casa quatro vezes nos últimos três anos — Foto: BBC

Moradores da exclusiva Little Haiti, em Miami, enfrentam gentrificação climática. Aluguéis aumentam, comércios fecham. Segregação racial persiste.

Com o **aumento do nível do mar** em todo o mundo, a cidade de Miami, no Estado norte-americano da Flórida, enfrenta a necessidade urgente de se adaptar.

Enquanto os investidores em imóveis voltam seus olhares terra adentro, longe das áreas baixas da praia, moradores de um bairro pobre, localizado mais acima do **nível do mar**, afirmam que o aumento dos aluguéis está fazendo com que eles se mudem de suas residências.

O **aumento do nível do mar** é uma ameaça real para muitas comunidades costeiras ao redor do mundo. A elevação do nível do oceano está causando impactos significativos nas cidades litorâneas, incluindo inundações mais frequentes e maior erosão das praias. É crucial que medidas de adaptação sejam implementadas para lidar com os desafios trazidos pela **subida do nível do mar**.

Situação em Little Haiti

É um lugar esplêndido e os construtores estão promovendo esse modo de vida tropical, contra a ativista Renita Holmes, do ramo imobiliário. Por isso, eles constroem, todos se mudam para Miami e nós temos que nos mudar.

Portanto, Holmes vive em Little Haiti, um distrito localizado distante do mar, a 8,8 km da luxuosa Miami Beach.

Passeando pelas ruas vivas dessa região, é possível ouvir pessoas conversando em crioulo e sentir os deliciosos aromas da culinária caribenha.

“Eu amo Little Haiti porque continua com essa aparência pantanosa, onde há árvores e vegetação. A comunidade haitiana e sua cultura são fortes. Conheci pessoas belas, talentosas e de bom gosto. E, agora, é minha casa e adoro”, diz ela com satisfação.

Gentrificação e Preocupação com a Altitude

A incidência de pobreza em Little Haiti é superior à média da cidade de Miami e a renda familiar geralmente é bem abaixo da média. As leis de segregação racial da primeira metade do século 20 e o reassentamento forçado de algumas minorias transformaram bairros como Little Haiti em refúgios para comunidades pobres e diversificadas. No entanto, a proximidade dos bares e restaurantes da moda do Distrito Design e do bairro de Wynwood estão aumentado o interesse dos construtores na região.

O empresário Tony Cho, que construiu partes de Wynwood, agora está focando em Little Haiti. Ele criou um projeto de arranha-céus no valor total de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,9 bilhões) chamado Magic City, em pouco mais de sete hectares de terras. O empreendimento foi autorizado em 2019.

Os moradores já sentiram o impacto disso no bolso. Reina Cartagena, proprietária do Adelita’s Café, em uma das principais ruas de Little Haiti, afirma que seu aluguel dobrou em menos de um ano. Ela comenta que muitos de seus clientes se mudaram para diferentes partes dos Estados Unidos e ela está considerando fazer o mesmo. Outros negócios na mesma rua já fecharam.

Impactos das Mudanças Climáticas

Outro possível fator de destaque em Little Haiti é sua localização em uma colina de calcário, cerca de 6,6m acima do nível do mar. Com isso, o bairro é quase cinco vezes mais alto que Miami Beach, que enfrenta riscos de erosão se o nível do mar continuar subindo e não forem adotadas medidas para conter a invasão da água.

O Centro Climático da Flórida indica que o nível do mar em Miami subiu 18 cm nos últimos 31 anos. Ele aponta projeções de cenários de alta que preveem aumentos similares nos próximos 15 anos. Outros pesquisadores falam em um possível aumento de cerca de dois metros até 2100.

Estas previsões geraram acusações de que os moradores de Little Haiti estão sendo vítimas de gentrificação climática – um processo pelo qual pessoas ricas deslocam pessoas mais pobres de regiões mais preparadas para suportar os impactos das mudanças climáticas.

Para Renita Holmes, é exatamente isso que está acontecendo. “Eles viram como a terra por aqui é alta – e, agora, querem morar aqui para que os condomínios não fiquem surfando nas ondas”, explica ela.

Fatores Ambientais

Tony Cho não está mais envolvido no empreendimento, mas ainda trabalha na região. Ele afirma que muito poucos investidores procuram investir em Little Haiti, por causa da sua elevação em relação ao nível do mar.
“Se você for um investidor, sua motivação é conseguir retorno para o seu investimento. Por isso, as pessoas investem onde elas acreditam que o valor será mais alto que o que elas investiram”, explica ele.

Cho também destaca outra característica da geologia de Miami. Da mesma forma que Miami Beach, Little Haiti fica sobre um leito de calcário poroso, de forma que a rocha ficará mais úmida em ambos os locais.

“Eu não levo em consideração que Little Haiti esteja em uma colina e Miami Beach no nível do mar”, afirma ele. “O que as pessoas precisam entender é que, quando o nível do mar aumenta, ele vem do fundo, não apenas dos lados.”

Impacto Social e Transformação

Renita Holmes conta que vem observando problemas com o aumento da umidade. É por esta razão que ela mudou de casa quatro vezes nos últimos três anos, procurando imóveis mais baratos e com melhor manutenção.

Em uma tentativa de proteger sua comunidade, Holmes se associou ao Instituto Cleo, uma ONG sediada na Flórida, e ao programa Empowering Women, criado pelo instituto para pessoas na linha de frente da crise climática. “Eles me deram o conhecimento, a terminologia e, então, eu descobri que o aumento do nível do mar é um problema meu”, afirma.

Renita Holmes foi incluída na lista das 100 mulheres inspiradoras da BBC para 2023, pelo seu trabalho para promover o direito à moradia das comunidades marginalizadas. Ela se dedica a educar seus amigos e vizinhos e defender a proteção do que ela considera a beleza e a identidade de Little Haiti. “Se não contarmos nossas histórias, não as expusermos, eles irão simplesmente construir em cima de nós e criar uma cidade de concreto”, segundo ela.

“Sou resiliente, sou empoderada e, enquanto eu tiver empoderamento, resiliência e minha voz, irei morar aqui”, conclui Renita Holmes.

Colaboração de Cecilia Barría.

Fonte: G1 – Mundo

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