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Revisão das indenizações da ditadura na Argentina: Conheça Milei e Victoria Villarruel, a vice que defende a causa

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governo militar, repressão
Quem é a vice de Milei, que defende revisar indenizações da ditadura na Argentina — Foto: GETTY IMAGES - Todos os direitos: G1

Deputada Villarruel, de família militar, defende reparação para vítimas de guerrilhas. Acusada de ‘negacionismo’ por direitos humanos.

A filha de um dirigente sindical morto durante a ditadura, Victoria Villarruel, vice-presidente de Javier Milei, está propondo revisar a atual política de memória e direitos humanos do país. A medida visa beneficiar milhares de vítimas da repressão ocorrida durante o governo militar (1976-1983) na Argentina.

A proposta de Villarruel representa uma guinada na política do país, onde, segundo analistas, havia um relativo consenso na elite política sobre como tratar o período comandado por militares. A mudança de abordagem pode trazer à tona discussões importantes sobre a repressão e os impactos da ditadura no país.

Uma luta histórica

O país costuma ser elogiado por especialistas internacionais em direitos humanos e historiadores por ter levado os ditadores militares ao banco dos réus, além de ter julgado e punido torturadores.

Perto do segundo turno das eleições, Villarruel ainda disse que a Argentina é um país ‘devastado’ e apontou: ‘Como você acha que poderá resolver isso [a situação do país] se não for com uma tirania?’

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Em setembro, um dos maiores centros militares de tortura daquele período, a Esma — já transformado no Espaço Memória e Direitos Humanos na década passada —, foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco.

No entanto, para a vice de Milei, essa política implementada não é correta. Villaruel tem dito que defende ‘a memória completa‘, que, segundo ela, deve considerar que havia ‘uma guerra’ que colocava militares e forças de segurança de um lado e, do outro, guerrilheiros de esquerda a quem chama de ‘terroristas’.

Em 2006, ela criou o Centro de Estudos Legais sobre o Terrorismo e suas Vítimas (Celtyv) para buscar reparação para as vítimas dos grupos Montoneros e Exército Revolucionário do Povo (ERP) — organizações guerrilheiras argentinas que agiram a partir do início dos anos setenta, antes do golpe militar de 1976. Os Montoneros eram de raiz peronista, ligada ao movimento criado pelo ex-presidente argentino Juan Domingo Perón; já o ERP era uma organização de orientação trotskista.

Discussões políticas

Filha, sobrinha e neta de militares, Vicky, como a chamam seus apoiadores, tem dito que a Argentina ‘escondeu’ sua história.

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‘Nós estamos conseguindo abordar um montão de ideias que eram impensáveis, que eram intocáveis, que não podiam ser questionadas’, disse Villarruel, já na reta final da campanha do primeiro turno, em entrevista à rádio Cadena 3, da província de Córdoba.

O discurso de Villarruel é rechaçado por defensores de direitos humanos e ativistas que veem nele negacionismo histórico e falsa simetria ao comparar o uso do Estado para reprimir e matar inimigos políticos durante a ditadura e atividades guerrilheiras no período.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a proposta de reparação para vítimas de atos guerrilheiros é legítima, mas também dizem ver no discurso uma ‘defesa implícita’ da ditadura e ‘um risco de retrocesso’ na política de direitos humanos.

Campanha e novas propostas

Villarruel decidiu criar em 2006 sua ONG para atender vítimas de atos dos grupos armados de esquerda nos anos 70. Na época, o governo de Néstor Kirchner tinha como bandeira a defesa da reabertura das investigações sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar.

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Para isso, Kirchner, que consolidava ali um braço próprio do peronismo, contou com o respaldo das entidades de direitos humanos Mães e Avós da Praça de Maio — reconhecidas internacionalmente pela busca de seus filhos e netos, sequestrados na ditadura.

A vice de Milei seguiu sem participação direta na política partidária até se juntar a seu companheiro de chapa. Victoria Villarruel só começou a ficar conhecida nacionalmente ao ser empossada como deputada federal em dezembro de 2021.

‘Pelas vítimas do terrorismo‘, disse ela, ao microfone, na cerimônia de posse no Congresso Nacional.

A declaração gerou críticas abertas do atual governo do presidente Alberto Fernández e de sua vice-presidente, a ex-mandatária Cristina Kirchner.

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‘Ela [Victoria Villarruel] reinvindica o terrorismo de Estado e nega a ditadura militar. E, nós, argentinos, temos um pacto forte contra a ditadura‘, disse, na ocasião, o ministro da Defesa, Jorge Taiana.

Revisão de números

Victoria Villarruel e Javier Milei inauguravam a pequena bancada da A Liberdade Avança (LLA), movimento pelo qual agora venceram as eleições presidenciais após um crescimento meteórico.

Para a analista de opinião pública da consultoria Tres Punto Zero e professora da Universidade de Buenos Aires Shila Vilker, Villarruel e Milei conseguiram colocar como tema na campanha presidencial a memória da ditadura e a violência política da década de 1970.

‘Foi um assunto que apareceu de forma inesperada na campanha’, afirma ela. ‘Fico com a impressão que, por trás da demanda legítima por parte das vítimas das organizações armadas, isso signifique uma defesa implícita da ditadura‘, diz Vilker.

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Esta defesa, afirma a analista, não poderia ser feita ‘de forma explícita’ porque na Argentina existe um ‘consenso social, acadêmico e judicial em relação ao que foi o terrorismo de Estado, dos crimes contra a humanidade, da história argentina‘.

Para ela, o desinteresse pela democracia entre parte dos mais jovens, a crise econômica e os discursos da A Liberdade Avança podem ser ‘um risco de retrocesso’ para a política de direitos humanos e para a condenação da ditadura.

Fonte: G1 – Mundo

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