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Como o novo presidente deve enfrentar a crise econômica da Argentina, segundo Javier Milei

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Milei, presidente eleito da Argentina, prometeu na campanha fechar o BC e dolarizar a economia — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

O vencedor da eleição deste domingo (19), economista adepto do ultraliberalismo, enfrentará desafios para aprovar propostas mais radicais no Congresso e precisará agir com cautela para evitar agravar a crise.

O recém-eleito presidente, Javier Milei, terá que enfrentar uma séria crise econômica na Argentina. O país está passando por uma série de problemas que incluem uma inflação extremamente alta, desvalorização da moeda nacional, falta de reservas em dólar, endividamento e aumento da pobreza.

Para lidar com esses desafios, o economista ultraliberal propôs durante a campanha medidas radicais, como a dolarização da economia e a extinção do Banco Central. No entanto, no discurso de vitória, ele não mencionou essas medidas, mas enfatizou a necessidade de ações drásticas e sem gradualismos para enfrentar a crise.

De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, as propostas de Milei podem enfrentar obstáculos para serem implementadas devido à falta de apoio no Congresso argentino.

O mercado está preocupado com os planos de fechar o Banco Central e dolarizar a economia, como evidenciado pela reação negativa dos investidores quando Milei foi o candidato mais votado nas primárias de agosto. Como hoje é feriado na Argentina, os impactos da eleição de Milei só devem ser sentidos na terça-feira.

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Proposta de dolarização da economia Argentina

Javier Milei fez da dolarização da economia Argentina uma das principais propostas de sua campanha. Esse processo consiste em adotar o dólar norte-americano como moeda oficial do país, abandonando o peso argentino.

No entanto, especialistas como o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria, afirmam que essa proposta é inviável e impraticável na realidade econômica atual da Argentina, o que pode trazer decepção para os eleitores que apoiaram Milei por essa questão.

Em face da necessidade de importar dólares, a Argentina enfrenta obstáculos que vão desde a dependência da Casa da Moeda dos Estados Unidos até a influência das decisões de juros do Federal Reserve. Além disso, a escassez de reservas internacionais, resultado das dívidas externas do país e das políticas do Banco Central argentino, restringe o acesso da população à moeda estrangeira.

Devido a uma combinação de fatores, as famílias argentinas optam por guardar a moeda norte-americana em vez do peso, considerando que o dólar é mais forte, seguro e previsível.

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Além disso, o receio da população de trocar dólares por pesos argentinos ou depositá-los em instituições financeiras contribui para a escassez da moeda dos Estados Unidos no país. Essa situação resulta em mais de 10 cotações de dólar, além do câmbio oficial, na Argentina.

Existe uma grande probabilidade de que o governo enfrente obstáculos do setor privado ao implementar a dolarização, já que isso pode impactar a competitividade das empresas e reduzir o apelo do turismo local.

A dolarização da economia, segundo o professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de São Paulo (Ibmec-SP) Alexandre Pires, é um desafio complexo, mas outras alternativas ainda estão sendo consideradas.

Proposta de Abolição do Banco Central

Durante sua campanha, Milei também mencionou a intenção de abolir o Banco Central da República Argentina (BCRA) como resultado da dolarização. Isso ocorreria porque, ao adotar o dólar como moeda oficial e depender do Federal Reserve, a Argentina abriria mão de sua autonomia monetária e deixaria de intervir na economia por meio da arbitragem de taxas de juros básicas, tornando o papel do BCRA obsoleto.

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Uma mudança na operação econômica da Argentina significaria abandonar a dependência dos juros e do câmbio, passando a operar com base no nível de gasto fiscal. Isso resultaria em uma taxa de juros equiparada à dos Estados Unidos, e o governo buscaria reduzir a inflação para níveis semelhantes aos americanos, de acordo com Pires, do Ibmec-SP.

No entanto, essa abordagem pode apresentar desafios para a economia. As decisões sobre alterações nas taxas de juros seriam tomadas com base nos Estados Unidos e não levariam em consideração as necessidades específicas do cenário econômico argentino.

É importante ressaltar que nenhum país até hoje optou por fechar seu Banco Central, mesmo os mais liberais. Essa ação seria completamente inédita e sem precedentes na história econômica mundial.

Durante sua campanha, Milei também mencionou a possibilidade de a Argentina sair do Mercosul, além de sugerir cortes nas relações internacionais do país com o Brasil e a China.

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De acordo com especialistas, o novo presidente enfrentará desafios para aprovar suas propostas no Congresso e também precisará considerar os possíveis efeitos dessas medidas na economia do país.

De acordo com Uebel, da ESPM, as decisões do presidente podem gerar consequências negativas para a Argentina, como a limitação do crescimento econômico, o agravamento da inflação e o aumento do desemprego. Portanto, é necessário cautela na implementação dessas medidas.

O impacto do corte das relações da Argentina com o Brasil e China

Se houver um eventual corte das relações da Argentina com o Brasil e China, isso terá consequências ainda mais graves no cenário econômico do país. De acordo com o sócio da PwC Bruno Porto, o impacto inicial seria sentido principalmente nas cadeias de produção do setor industrial.

Segundo Porto, o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e a importância da China como compradora de insumos de diversos tipos de produtos é inegável. Além disso, os chineses também desempenham um papel crucial do ponto de vista dos investimentos no país.

De acordo com os especialistas, ainda é cedo para tirar conclusões, e será necessário observar as ações efetivas do novo presidente.

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Para alcançar estabilidade e previsibilidade, a Argentina tem a oportunidade de estabelecer parcerias com outros países e ampliar suas cadeias de valor. No entanto, é crucial deixar de lado as questões políticas e focar na resolução dos problemas. É fundamental realizar um planejamento estratégico, pois nenhuma mudança significativa ocorre rapidamente.

Fonte: G1

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