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Por que não existem mais aviões supersônicos de passageiros voando? O fim do Concorde.

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Concorde da British Airways em foto tirada em maio de 1986 — Foto: Eduard Marmet/Wikimedia Commons Concorde é levado ao hangar da British Airways no aeroporto de Heathrow, Reino Unido, em 2003 — Foto: Nicolas ASFOURI/AFP PHOTO Concorde realiza seu último pouso em Heathrow, em 24 de outubro de 2003 — Foto: Adrian Dennis/AFP/Arquivo Destroços do Concorde acidentado são vistos em 26 de julho de 2000 — Foto: AFP

Há duas décadas, a aeronave que podia realizar a rota entre Londres e Nova York em menos de 4 horas fez seu último pouso. Apesar de ser considerada um milagre da tecnologia, sua história foi marcada por diversos obstáculos que culminaram em sua aposentadoria.

A despedida grandiosa começou em 24 de outubro daquele ano, com o último voo comercial. Depois disso, as aeronaves realizaram apenas demonstrações e voos finais para museus.

Recentemente, nenhum projeto de aeronave supersônica conseguiu sair do papel. Apesar de ser considerado um ‘milagre’ da tecnologia, o Concorde entrou para a história como um fracasso comercial retumbante. **E, embora atraente, a ideia de transportar pessoas acima da velocidade do som nunca se mostrou viável do ponto de vista financeiro.**

Quando o avião Concorde retornou aos céus, em novembro de 2001, o mundo estava lidando com as consequências do atentado de 11 de Setembro. Uma recessão econômica global estava se estabelecendo e a demanda por passagens aéreas transatlânticas havia caído drasticamente.

Não demorou muito para a Airbus — que havia adquirido a Aérospatiale — decidir interromper a produção de peças de reposição. Em abril de 2003, Air France e British Airways anunciaram a aposentadoria do Concorde. Os franceses encerraram o serviço em maio, enquanto os ingleses operaram uma série de voos partindo de Heathrow, que estavam quase sempre lotados, apesar das taxas de ocupação anteriormente baixas.

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O Desafio Financeiro e o Acidente Fatal do Concorde

Um avião de alto custo de operação e manutenção – um dos poucos nos últimos anos que exigia um engenheiro de voo adicional ao comandante e co-piloto – o Concorde frequentemente resultava em prejuízos para as companhias.

Em julho de 2000, o avião sofreu seu único acidente fatal: após a decolagem em Paris, um incêndio causou a queda do Concorde, resultando na morte de todos a bordo. Foi necessário um período de 15 meses em terra para implementar e aprovar todas as modificações de segurança necessárias, antes que o avião pudesse voltar a voar.

“O espaço para cozinhar era limitado, então não era possível preparar grandes refeições, que geralmente acabavam frias. No entanto, eram servidos pratos luxuosos: caviar, lagosta, champanhe…”, relata.

“Durante o meu voo, ao atingir a velocidade do som, um membro da tripulação anunciou pelo sistema de som: ‘Bem-vindos ao voo supersônico’. Era como atravessar um portal.”

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Voos Exclusivos do Concorde

Além disso, quando quebrava a barreira do som, as aeronaves produziam o icônico “sonic boom”, um estrondo que perturbava até mesmo as pessoas em terra. Vários países, incluindo os EUA, proibiram o avião de voar em velocidade de cruzeiro sobre terra, tornando viáveis apenas as rotas transoceânicas.

Não é de surpreender que viajar em um Concorde fosse uma experiência para poucos. As passagens custavam mais do que em uma primeira classe convencional. A área de embarque era VIP, separada dos passageiros de outros voos. Ao chegar, cada passageiro recebia um certificado assinado pelo comandante. As bagagens que não coubessem no pequeno compartimento de carga eram entregues no endereço final no dia seguinte.

Portanto, em 2 de março de 1969, um marco histórico foi estabelecido, quando o primeiro Concorde decolou da cidade francesa de Toulouse. Foram anos de extensos testes, verificações e certificações, até que os dois primeiros voos aconteceram em janeiro de 1976 – um na França e outro na Inglaterra. Simbolicamente, ambas as torres de controle concederam a autorização para a decolagem simultaneamente.

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O empreendimento ultrapassou repetidamente o limite orçamentário e foi amplamente financiado pelos governos. O investimento foi justificado pela manifestação de interesse de empresas aéreas de todo o mundo.

De olho nesse mercado, os americanos estavam desenvolvendo um projeto concorrente, o Boeing 2707, que falhou devido à falta de financiamento em 1971, sem que nenhum protótipo fosse construído.

Os soviéticos foram os que mais se aproximaram de competir com o Concorde, com o Tupolev Tu-144 – ao contrário do que se pensa, este foi o primeiro avião supersônico de passageiros da história, não o anglo-francês. Ele voou e entrou em operação antes do Concorde, mas teve uma história cheia de obstáculos, incidentes e até suspeitas de espionagem.

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O avião Concorde e sua inovação tecnológica

Acima da velocidade do som, a resistência do ar produz temperaturas extremamente elevadas. Segundo o consultor, todos os aspectos relacionados aos materiais e à metalurgia no Concorde são inovadores.

“E o Concorde foi o primeiro avião da história a utilizar a tecnologia ‘fly-by-wire’. Em vez de um conjunto de hastes, molas, polias, etc., para controlar as partes móveis, isso passou a ser feito por impulsos elétricos. Atualmente, todos os aviões modernos adotam esse sistema.”

De maneira geral, o conflito mais interessante foi a disputa em torno do nome do avião, se deveria ser “Concord” em inglês, ou “Concorde” em francês. Gianfranco Beting relata que isso se tornou uma briga que quase levou ao cancelamento do projeto.

A questão foi resolvida quando um ministro britânico aceitou o nome “Concorde” em francês, argumentando que o “e” no final representava “England” (Inglaterra).

Apesar dos obstáculos, os engenheiros dedicaram mais de dez anos à fase de projeto, procurando soluções para os inúmeros problemas impostos pelo voo supersônico, que incluíam desde o formato das asas até a cobertura dos motores. **Essa fase do projeto foi extremamente desafiadora, mas não impediu o progresso na busca por soluções inovadoras.**

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Mas os obstáculos surgiram assim que a empresa francesa Aérospatiale e a companhia inglesa BAC uniram forças: “Uma das primeiras questões era se eles utilizaríam, no projeto, o sistema métrico [centímetros, metros, quilômetros] ou imperial [polegadas, pés, milhas]”, afirma Beting.

Devido aos Estados Unidos terem estabelecido o sistema imperial na indústria, os ingleses acabaram prevalecendo na primeira disputa.

De acordo com Beting, ambos tinham obtido êxito relativo. Os franceses tinham desenvolvido o primeiro jato bem-sucedido para voos de curta distância, o Sud Aviation Caravelle. Enquanto os ingleses produziam diversos tipos de aeronaves, porém eram adquiridas exclusivamente por empresas britânicas.

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Beting também menciona que as indústrias aeroespaciais dos dois países possuíam características complementares – os ingleses eram especialistas na construção de asas e motores, enquanto seus colegas continentais eram proficientes em design de sistemas, por exemplo. **Essa combinação de habilidades contribuiu significativamente para o sucesso da indústria aeroespacial europeia na época.**

Parceria entre França e Reino Unido

A origem desse feito está na aliança inesperada entre cidadãos franceses e britânicos. Conforme relatado pelo consultor de aviação Gianfranco Beting, nos dez anos após a Segunda Guerra Mundial, esses dois países europeus testemunharam a perda de sua liderança na indústria aeroespacial, o que resultou na saída de empregos e bilhões de dólares em lucros potenciais para os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, com a inovação da propulsão a jato, a indústria aeroespacial acreditava que a próxima etapa da aviação seria a criação de aeronaves cada vez mais velozes. **Essa era uma visão dominante do que seria o futuro da aviação.**

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Terminou de forma triste e antecipada para aquilo que o ex-diretor executivo da Air France, Jean-Cyril Spinetta, descreveu como “o mais belo objeto criado e construído pelo ser humano”.

Mais do que uma aeronave, o Concorde representava a realização mais próxima da engenharia em oferecer o sonho de encolher o mundo. Capaz de atingir a velocidade do som (cerca de 2.200 km/h, ao nível do mar), o Concorde ligava as capitais da França e do Reino Unido a Nova York em aproximadamente três horas e meia – o voo mais rápido, na rota com destino a Londres, durou apenas duas horas e cinquenta e dois minutos. **Este avião marcou uma era na aviação, sendo um símbolo de tecnologia e velocidade inigualáveis.**

Por volta de 20 mil pessoas em áreas próximas a Bristol testemunharam o derradeiro voo de um avião comercial supersônico nos céus em 26 de novembro de 2003.

O Concorde da British Airways decolou de Heathrow, em Londres, às 11h, e realizou uma rota especial sobre a Baía de Biscaia, no Atlântico Norte, antes de sobrevoar os céus ingleses e pousar no aeródromo de Filton. A despedida foi marcada por um discurso do Príncipe Andrew, Duque de York, que recebeu os cem pilotos, comissários e funcionários da companhia aérea a bordo do voo final.

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A ocasião teve um tom solene e comovido.

Fonte: G1 – Mundo

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