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As mulheres que pastoreiam no vilarejo perdido entre montanhas: uma herança de coragem e determinação.

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pastagem, pastoras, pastagens
O estilo das pastoras Wakhi é um modo de vida que está desaparecendo. A BBC 100 Mulheres visitou a sua aldeia e os campos que lhes permitiram ganhar dinheiro para mudar completamente a rotina na montanha.

O estilo de vida das pastoras Wakhi está desaparecendo devido às condições climáticas. A BBC 100 Mulheres visitou a aldeia e os campos que as ajudaram a mudar sua rotina na montanha.

Por séculos, as pastoras wakhi do Paquistão têm **pastoreado** seus rebanhos nas regiões montanhosas. Essa prática gerou uma renda crucial para a transformação da comunidade delas.

Essa atividade permitiu o pagamento de cuidados de saúde, educação e até mesmo a construção da primeira estrada na região, que conectou o vale em que vivem a outras áreas vizinhas.

No entanto, esse estilo de vida está lentamente desaparecendo.

Além de **pastorear**, as pastoras wakhi do Paquistão também são responsáveis por encontrar as melhores **pastagens** para seus rebanhos. Esse trabalho árduo é essencial para garantir o bem-estar dos animais e a sustentabilidade das **pastagens** locais.

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É importante reconhecer o papel vital que as pastoras desempenham na preservação das **pastagens** e na manutenção da economia local.

Conectando com a ancestralidade

A série 100 Mulheres da BBC teve a oportunidade de se integrar a uma das suas últimas expedições até os territórios pastoris.

Longo e tortuoso, o caminho que nos leva através das pastagens da cordilheira Pamir, na divisa com a China, requer muita atenção. As trilhas íngremes nas montanhas serpenteiam e torcem a cada passo, exigindo extrema cautela.

Com o assobio e os gritos das mulheres, o gado – composto por ovelhas, cabras e iaques – mantém-se no caminho estreito, evitando quedas pela encosta abaixo.

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Antes havia muito mais gado do que agora

, relembra Bano, uma mulher de setenta e muitos anos.

Os animais que caíam desapareciam. Alguns reapareciam e outros não.

Nas épocas passadas, todos os verões, dezenas de pastoras wakhi empreendiam essa jornada pelas escarpadas montanhas Karakoram, no nordeste do Paquistão, levando consigo seus filhos pequenos nas costas.

Elas deixavam os homens em casa para laborar no vale de Shimshal.

Hoje sobrevivem apenas sete pastoras.

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Cada dia, caminhamos durante oito horas, suportando chuva, neve e intenso calor. O percurso, que costumava levar três dias para as mulheres, se estende a cinco em nossa companhia.

Embora avançadas em idade, as pastoras seguem sempre adiantadas em relação aos demais, enquanto nos adaptamos à altitude.

O risco de deslizamentos de terra é constante, e a vibração do solo causada pelo som das patas das ovelhas provoca a queda de pedras e poeira.

Num passado não muito distante, a situação era ainda mais árdua. As pastoras não dispunham de casacos térmicos nem de calçados apropriados para enfrentar tal terreno.

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Costumávamos utilizar túnicas simples. Andávamos descalças e assim trilhávamos o gelo

, recorda Annar, hoje com 88 anos.

Afroze, atualmente com 67 anos, lembra-se de ter sido a primeira mulher no vale a ganhar um par de sapatos.

Meu irmão me deu dois pares quando me casei

, narra ela.

Muitas pessoas vinham somente para vê-los. Muitas vezes elas os pegavam emprestados, juntamente com meu vestido, para casamentos.

No momento em que alcançamos Pamir, situada a quase 5 mil metros acima do nível do mar, pastos verdejantes surgem diante de nós, enquanto riachos de águas glaciais deslumbrantes serpenteiam pela paisagem, ladeados por imponentes picos cobertos de neve.

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Trilhávamos essas terras junto às nossas mães e avós. E, em paralelo a nós, elas eram pastoras, processavam manteiga e fabricavam iogurte

, recorda Annar, ao passo que as mulheres entoam cânticos e dançam.

O conjunto de 60 habitações de pedra, abandonadas e trancadas, são vestígios de um modo de vida à beira da extinção.

Sendo a pastora mais anciã, Annar beija a porta de uma das cabanas, profere uma prece e adentra levando consigo uma bacia contendo folhas em combustão.

Nossos mais antigos nos instruíram para ter a arruda-da-Síria (Peganum harmala) sempre por perto, pois ela afugenta as adversidades

, explica ela, garantindo que a fumaça alcance todos os animais.

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Antigamente, para afastar lobos e leopardos, dormiam nos topos das casas, inclusive sob as condições climáticas mais desfavoráveis. Elas também confeccionavam armadilhas e acendiam fogueiras.

Ao anoitecer, a escuridão era absoluta

, lembra Annar,

não havia luz nem tochas, e não enxergávamos o que havíamos perdido até a manhã seguinte

.

Ela também recorda momentos de grande aflição. Como quando, em determinada temporada de verão, sepultaram 12 pequenos nas pastagens. Dentre eles, estavam um par de filhos seus.

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E nas montanhas inexistiam médicos nem postos de saúde.

Fui de mãos vazias, assim como estou agora

, suspira Annar, cerrando os punhos, relembrando a dor de quase 60 anos atrás.

Mudanças na vida das pastoras

Com a passagem dos anos, as experientes pastoras se transformaram em empreendedoras muito sucedidas.

Colhíamos leite dos animais para elaborar iogurte e laticínios. Tosquiávamos as ovelhas e confecionávamos utensílios para comercializar na aldeia

, revela Bano.

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A comunidade wakhi baseava-se no escambo; em contrapartida aos produtos das pastoras, as pessoas erguiam cabanas e casas para elas.

Afroze conseguiu angariar o suficiente para edificar duas habitações, uma em Shimshal e outra mais distante, em Gilgit, o município mais próximo.

Colhi muito deste sítio

, ela confidencia com orgulho.

Assim financiei os casamentos dos meus filhos. Assim pude educá-los.

A combinação da atividade pastoril das mulheres com as labutas agrícolas dos homens marcou um ponto de inflexão para toda a comunidade, que permaneceu isolada do resto do mundo até o início dos anos 2000.

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As duas atividades contribuíram para financiar a única estrada que cruza o Vale Shimshal, ligando o município à rodovia Karakoram, que conecta o Paquistão à China.

As viagens, outrora duradouras, foram reduzidas a meras horas, transformando radicalmente a vida. Houve melhoria na acessibilidade aos cuidados de saúde e à educação e emergiram novas ideias.

O filho de Bano, Wazir, desfruta atualmente de uma vida bem divergente. Ele dirige uma companhia de turismo que organiza caminhadas, escaladas e passeios culturais pela área.

Nossas prioridades mudaram com a abertura da nova estrada

, afirma ele.

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Foi o momento em que dei início ao meu negócio.

Fazila, de 24 anos, é proprietária da primazia pousada no Vale Shimshal, erguida por seu pai antes de sua partida.

Sua mãe é pastora, embora problemas de saúde a tenham impedido de rumar às pastagens este ano.

Nossas mães nos encorajaram a focar nos estudos ao invés de pastorear. Elas não desejavam que enfrentássemos as mesmas adversidades que elas

, explica ela.

Desenvolvemos a liberdade de adotar o que desejamos. Caso eu não tivesse prosseguido com meus estudos, estaria vivendo a mesma vida difícil que elas. O ciclo teria perpetuado.

Ao dirigir o seu veículo pelas escarpadas montanhas, Wazir concorda:

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Agradeço imensamente às nossas mães, as quais possibilitaram a formação de médicos, engenheiros e diversos outros profissionais

.

Sentadas juntas, partilhando reminiscências, as pastoras idosas veem com grande contentamento o bem-estar de seus filhos; contudo, paira no ar uma tristeza devido à inviabilidade das viagens às pastagens de Pamir.

Pastorear é mais que um ofício. Sentimos uma conexão muito profunda com Pamir. Ela é bela como uma flor. É nosso tesouro

, atesta Afroze.

E ao caminhar vagarosamente em rumo ao cemitério onde sepultou seus filhos, Annar tem seus olhos marejados.

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Desejo muito morrer em Pamir para poder assim ser enterrada ao lado dos meus filhos

, revela ela.

Quando regresso às pastagens, regresso a eles

.

Fonte: G1 – Mundo

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